Doutora em Ciências da Comunicação e Filosofia da Informação pela ECA-USP (Universidade de São Paulo) e IOE-UCL (University College London). Mestre em Educação e Inovação. Pesquisadora do Painel Independente para Preparação e Resposta à Pandemia (IPPPR / OMS). Jovem Embaixadora representando a América Latina e Caribe da UNESCO / GAPMIL e Cofundadora da HILA Alliance.
Ecologias conectivas: a qualidade transorgânicas das interações nos ambientes-redes
As últimas gerações de conexão começaram a pôr em rede não apenas pessoas e tecnologias (social network) mas, também, objetos (internet das coisas) territórios (sistemas informativos geográficos GIS), biodiversidade e qualquer tipo de superfície (Internet of Things), transformando, assim, todos os aspectos da realidade em dados e bits (Big Data) e criando um inédito tipo de ecologia conectiva e transorgânica. Hoje, a Internet não é mais uma rede de computadores e assumiu dimensões globais, digitalizando parte da biosfera e criando uma quantidade incalculável de dados. Os vários tipos de conexão e os diferentes dispositivos de sensorização expressam as formas de um outro tipo de ecologia e de uma condição habitativa que não está mais limitada a uma rede de informações transmitidas por computadores. A Internet não é mais uma rede técnica e não é mais apenas uma rede de pessoas e cidadãos: nos deparamos com o advento de uma nova conexão planetária, mas diferente daquela que uniu o conhecimento da inteligência humana ao mundo, conforme elaborado por obra de P. Levy. As novas formas de conexão que se estabeleceram após as últimas gerações da Internet e que estão digitalizando a biosfera, estão nos transformando de cidadãos e habitantes de cidades, países e nações em habitantes de galáxias de bits. Esse processo alterou nossa condição habitativa, disseminando um novo tipo de ecologia conectiva que se caracteriza como uma arquitetura reticular, dentro da qual cada integrante é, ao mesmo tempo, composto pelo conjunto de arquiteturas de rede informativas e produtor das mesmas. As formas de conexão entre territórios, coisas, pessoas e dados influenciam a mesma ideia de educação e as práticas de ensino, transformando a mesma prática de repasse de informações entre humanos e textos em práticas habitativas e conectivas.
LITERACIAS DA INFORMAÇÃO E LITERACIAS DIGITAIS Competências do Profissional da Informação e o Mercado de Trabalho na Era Digital
O objetivo deste trabalho é promover um estudo sobre como a demanda do mercado por habilidades em informação impulsionou a formação de profissionais nesse ramo e influenciou o estudo das literacias da informação e digitais desde os primeiros anos do ensino básico até os cursos superiores de graduação e profissionalizantes. Esta pesquisa de caráter teórico e qualitativo foi arquitetada sobre a busca e leitura de artigos em bases de dados e referências específicas do campo da Informação e Educação. Oferece como resultado um panorama holístico sobre o mercado profissional da informação e um processo educacional que se inicia desde as primeiras idades e constróis cidadãos como pilares democráticos na sociedade do conhecimento na era da informação.
UMA RETROSPECTIVA DO USO DO TERMO LITERACIA: SENTIDOS ATRIBUÍDOS E DERROTADOS ENTRE O FINAL DO SÉCULO XIX E MEADOS DO SÉCULO XX
O presente artigo delimita as nuances semânticas do conceito literacia (tradução do inglês literacy) a fim de compreender seu constante uso dentro do campo da Comunicação e Educação. Para tanto, mapeia o uso do termo no perímetro epistemológico da Literatura e dos Estudos Culturais desde o final do séc. XIX até a década de 1980. É possível esboçar que Literacia leva em seu gene etimológico um leque semântico, o qual se encaixa em suas atribuições de sentidos atuais com designações próximas aos conceitos de alfabetização e letramento, porém em um sentido mais interdisciplinar e afirmativo em relação ao desenvolvimento humano.
Literacias de Mídia e Informação (MIL) no âmbito do Observatório da Cultura Digital do NACE Escola do Futuro – USP: estudos sobre os avanços das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no Brasil
Literacias de Mídia e Informação (MIL) no âmbito do Observatório da Cultura Digital do NACE Escola do Futuro – USP: estudos sobre os avanços das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no Brasil
Redes digitais ou analógicas possibilitam a busca e a produção de conhecimento de maneira heterárquica e coletiva. Cada agente conectado é protagonista de suas ações, enquanto
se torna coadjuvante de outras, sem que isso prejudique seu trabalho individual ou partilhado com outros agentes. Esse novo contexto social configura o sujeito conectado na
sociedade do conhecimento.
O acesso à Internet passa por transformações tanto em relação à acessibilidade como em
seu reflexo na sociedade. Novas políticas públicas e programas que ampliam a conectividade são elaboradas e implantadas, o que possibilita a criação de novos negócios e potencializa a comunicação, mobilidade e tantas outras atividades. Os resultados dos avanços
em acessibilidade nos países são diferentes, mas com características similares. Enquanto
países desenvolvidos demonstram maturidade no fornecimento de acesso à Internet, os
países em desenvolvimento correm atrás de modelos bem-sucedidos para tentar diminuir
a distância entre a necessidade de oferecer serviços de qualidade e a importância que o
contato com a WEB tem para a vida cotidiana.
A transdisciplinariedade das literacias emergentes no contemporâneo conectado: um mapeamento do universo documental das literacias de mídia e informação (MIL)
A transdisciplinariedade das literacias emergentes no contemporâneo conectado: um mapeamento do universo documental das literacias de mídia e informação (MIL)
Este trabalho promoveu um mapeamento do universo documental das Literacias de Mídia e Informação (MIL) no âmbito das Declarações Oficiais da UNESCO entre os anos de 1982 e 2014. Considerado um novo conceito, as MIL contemplam o desenvolvimento de capacidades e habilidades de cidadãos com a mídia e a informação no ambiente do Século XXI, para que sejam protagonistas de suas próprias histórias e se empoderem ao longo desse processo. Para estudo desse campo se recorreu à Teoria do Ator-Rede como aporte teórico e outros conceitos concernentes como as literacias da informação, digitais e de mídia. Da perspectiva metodológica, a pesquisa tem cunho qualitativo e transdisciplinar e contribui para a compreensão das novas morfologias epistêmicas da sociedade do conhecimento. Como resultados, foram elaborados quadros sínteses e linhas do tempo para a apreensão visual da progressão do conceito de MIL, face à sua sedimentação terminológica e temática. Ainda, se torna possível entender os vários vieses abrangidos ao longo dessa jornada, tendência que a UNESCO tem chamado de "transliteracy".